Amar é algo tão complexo como compreender
o Universo e toda a sua dinâmica (a dinâmica do Universo é bem mais simples
para mim), não é o conceito de Amor que me escapa, nem as suas multiplicidades,
o que me escorre pelos dedos, foge da minha compreensão, porque Amar é “quase” sempre
o começo do fim.
Quando assumimos que Amamos alguém,
ao invés de o aceitarmos tal como ele é, fazemos o oposto, colocamos essa
pessoa sobre uma lupa… e ninguém, nem nada é perfeito visto de tão perto.
Qual é a verdadeira dificuldade de
se aceitar alguém tal como ele é, sem criar falsas e solitárias expectativas
sobre o outro, principalmente quando o outro é sincero, directo e claro no que
sente e vive. Porque aspiramos algo que não nos foi prometido, porque quase
inevitavelmente procuramos algo de errado no que está bem e tranquilo.
Vejo isto todos os dias, ouço
confissões avassaladoras e vejo pessoas tristes e magoadas, principalmente
porque procuram fora delas o que deveriam encontrar em si mesmas, não vêem que
ao colocar essas expectativas em terceiros iram sempre sair defraudadas, pois
nunca, ainda que fosse possível entrar na sua mente, não é seu. Magoam-se
deliberadamente, dia após dia porque se recusam a aceitar que nelas estão todas
as dádivas e todas as respostas… Tudo que vem de fora, deverá ser um bónus, que
as vai completar, ao invés de as preencher.
Amar é duro, mas é de facto
simples, tão elementar como aceitar sem “mas” ou “ses” a individualidade, a essência
de quem está ao nosso lado.
Saber Cuidar, Respeitar, ser Companheiro
e Amigo, Leal e Fiel… Aceitar a diferença, o espaço… e Amar é doce e fácil!
Infelizmente apercebo-me e
defendo à muito tempo que o sentimento, o “Amor” e /ou a “Paixão” é a razão
pela a qual as pessoas se unem, mas são demasiadas as vezes, o ruir de pilares
estruturais como a amizade, a confiança, o respeito que faz com que elas se
separem, ainda que exista sentimento. O Amor junta, mas é preciso muito mais
que isso para que uma relação exista e floresça.
Sendo eu alguém que acredita que
tudo acontece por uma razão, vejo demasiada tristeza à minha volta e muitas são
as vezes que penso que o único responsável, são os próprios.
Parte-me o coração ver pessoas
que estimo muito a sofrer, sem que nada possa fazer, para além da certeza que
estarei sempre lá para eles.
Eu própria o sinto, pois (talvez)
simplifico demasiado e acabo por me revelar complexa na minha simplicidade de
sentir e viver.